sábado, 24 de setembro de 2011

Manuel

Bom Dia Manuel
As nuvens passaram e o céu está mais azul..
Os passáros voltam a chilrear e o regato desce de mansinho, em direcão á enseada, onde tantos banhos tomámos.
Olha Manuel, voltei a percorrer o velho caminho do moinho e passei perto do buraco da doninha, que costumava observar-nos, quando nos olhávamos sentados no velho tronco.
Ali, passamos horas a contar detalhadamente, quantas nozes já tinha a velha nogueira, quantas pinhas tinha o pinheiro velho e quantos ninhos de pardais tinham entretanto aumentado.
A velha enseada junto ao penedo negro basaltico está mais gasta, mais redonda, onde a marca branca em cruz, que riscámos, continua dissimulada...
Olha Manuel, onde agora tu moras, talvez não possas ver esta saudade dos nossos verdes anos que continua a queimar docemente no meu peito.
Gostava de te ver mais uma vez, de tocar o teu cabelo negro e sedoso, após um banho refrescante, e exposto ao Sol até ao entardecer..
Olha Manuel, por vezes penso mergulhar na enseada e reter a respiração bem lá no fundo.
Talvez fosse bom o caminho a percorrer até ti, fosse mais curto e apressado.
Depois que partiste tão bruscamente, nem sequer pode ver o teu pálido rosto gelado, mas tão sedoso e aveludado.
Cheguei poucas horas depois e a urze e malmequeres que colhi, lancei-as na enseada, devagarinho e com cuidado. E cada uma que depositava nas águas limpidas e vagarosas, levava um pensamento, tantas vezes murmurado ao teu ouvido, no tempo em que as margaridas floriam.
Olha Manuel, por hoje vou parar o meu pensamento para conseguir adormecer, para sossegar este vulcão de querer e pressentir e sentir a tua ausencia reconfortante.
Olha Manuel, vou dormir....

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