caminhas, estrada abaixo
como se o peso do mundo
fosse de tua
responsabilidade
mas, tu
melhor, eu acho
és bom, na tua sensibilidade
Arrastas os pés
porque os sapatos
não têm solas
e os cartões
que puseste
para não
molhares, os pés
são, de uma esmola, que deste
O frio é o teu inimigo
os pulmões
já estão habituados
pois os trapos
que os tapas
há monte
estão
debotados
Mas caminhas
sempre livre
em que a casa
são as ruas
de alpendre
em alpendre
acoitas
as vestes, que são tuas
Enganas
o estomago
bebes um copo
de água
e ás vezes por acaso
alguém
te paga
em troco, duma saga
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