Uma solidão imensa me invade a alma e um frémito gelado me envolve o corpo
A vida quotidiana é árida e em nosso redor
nem sempre encontramos a mão amiga, que nos aqueça o coração
Sinto-me só.
Tento lutar para dar mais e mais aqueles
que me rodeiam
e os demais
não me compreendem
Olho o meu Ego e lá no fundo das minhas entranhas
um grito de dor e desalento
me despedaça
o meu ser
tão amante do seu semelhante
Abro os meus braços
a todos que me cercam
e dentro do possível
tento chegar ás suas mágoas
dar tudo por tudo
esquecendo que existo
neste mundo sem calor
Oitenta anos de luta
de sacrifícios e canseiras
horas e horas perdidas
a favor dos outros
e nem um segundo
retirei
para meu proveito e laser
Sinto-me envelhecer
dia a dia
e os cabelos brancos
que me envolvem o rosto
vão-se deixando cair
como anéis saídos
sem brilho e sem cor
Sou uma mulher
em tantas que existem
por esse mundo fora
e tal como eu
elas se deixam secar lentamente
sem que um sorriso de gratidão
possa afluir
aos rostos marcados
pelo vendaval da vida
sem flor
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