terça-feira, 29 de outubro de 2024

TEMPO DE MULHER

Uma solidão imensa me invade a alma e um frémito gelado me envolve o corpo

A vida quotidiana é árida e em nosso redor 

nem sempre encontramos a mão amiga, que nos aqueça o coração

Sinto-me só.

Tento lutar para dar mais e mais aqueles

que me rodeiam

e os demais

não me compreendem

Olho o meu Ego e lá no fundo das minhas entranhas

um grito de dor e desalento

me despedaça

o meu ser

tão amante do seu semelhante

Abro os meus braços 

a todos que me cercam

e dentro do possível

tento chegar ás suas mágoas

dar tudo por tudo

esquecendo que existo

neste mundo sem calor

Oitenta anos de luta

de sacrifícios e canseiras

horas e horas perdidas

a favor dos outros

e nem um segundo

retirei

para meu proveito e laser

Sinto-me envelhecer

dia a dia

e os cabelos brancos

que me envolvem o rosto

vão-se deixando cair

como anéis saídos

sem brilho e sem cor

Sou uma mulher

em tantas que existem

por esse mundo fora

e tal como eu

elas se deixam secar lentamente

sem que um sorriso de gratidão

possa afluir

aos rostos marcados

pelo vendaval da vida

sem flor



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